quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

R.I.P - 2013, o ano em que morri

Estava mesmo esperando 2013 terminar para comunicar ao mundo que morri. Fui morrendo aos poucos. Não foi morte rápida e fulminante, mas também não foi agonizante. Foi morte lenta, dia a dia, foi morte tranquila, plácida. Fui entendendo que estava morrendo e aceitei. Deixei tomar conta daquela que fui... também não tive muita escolha, como em outra morte qualquer. Simplesmente aconteceu.



Os primeiros sintomas vieram em abril de 2012, e percebi mesmo foi em maio do mesmo ano. Um enjoo, um enfado. Depois passou e melhorou. Me senti mais bonita, e todo mundo percebeu. A barriga foi crescendo, demarcando o território. 

Comecinho de 2013, bem no dia 4 de janeiro, o sol nem havia espreguiçado seu primeiro raio do dia, foi aquele turbilhão. Era 1:30h da madruga. São Paulo em silêncio. Ruas escuras, vazias, quase nem cruzamos com os carros nas outroras congestionadas ruas. Mas eu estava ali, consciente e lúcida. Não sentia dor. Uma certa ansiedade e um pouco de medo do desconhecido, afinal, ninguém sabe o que tem do outro lado antes de cruzar a fronteira....

Hora: 5:48h. Dia: 04. Mês: Janeiro. Ano: 2013. Essa é a hora oficial do óbito daquela que um dia foi simplesmente Estela. Era filha, era irmã, era esposa, era amiga. A partir daquele momento passou dessa para uma melhor. E passou a ser mãe. Mãe do Arthur.

Não teve atestado de óbito. Não teve funeral nem enterro oficial. Ninguém chorou a morte. Ela aconteceu somente aqui, dentro do meu peito. Tanto que quase ninguém percebeu que Estela se foi. 

Parece um pouco mórbido e um tanto estranho esse sentimento e comparação com a morte mas é exatamente assim que aconteceu comigo. Tudo aquilo que um dia fui acabou ali, com o nascimento do meu filho. As baladas não me fazem falta, foi um tempo que passou e foi enterrado lá atrás com aquela Estela. Não tenho saudade. Hoje vivo pro Arthur. Aos poucos fui retomando a vida, mas agora diferente. Aprendi demais e estou aprendendo a cada dia. Todas aquelas teorias e conceitos ficaram nos livros, porque quando precisa de alguém para fazer par com você, a dança é diferente. Os dois tem que entrar no mesmo ritmo, tem que se conhecer, olho no olho, pele com pele, e ai as coisas vão acontecendo, vão fluindo e a dança vai ficando solta, bonita. Nenhum par é igual ao outro.

Então é isso. Tenho 1 ano de vida. De vida como mãe, porque nunca mais vou deixar de ser, haja o que houver. Uma nova vida começou em 2013. Que venha 2014 com novos desafios e nova aprendizagem.

4 comentários:

  1. Oi Estela, tudo bem?
    Descobri em outubro que estava grávida... Meu mundo caiu quando vi aquelas duas linhas rosas, e caiu num sentindo ruim naquele momento. Estava na academia, e fiz o teste lá mesmo... Eu estava no meu melhor corpo, no meu melhor momento e de repente me vi com um serzinho que será dependente de mim pelo resto da vida. Minha cabeça rodou.
    Não sou de comentar em blogs, mas seu R.I.P me mostrou que eu também morri um pouquinho quando vi as listrinhas, mas felizmente, hoje encaro como um renascimento, estou de 4 meses e já sei que é uma menininha. Que já é abençoada e cada mexidinha sua, me faz lembrar o quanto a partir de agora não estou sozinha e que preciso ser responsável. Obrigada por compartilhar sua história, estou uma bela gestante chorona, que chorou com seu relato. Desculpe escrever tanto, mas realmente me tocou. Não some daqui tá?
    Bjs

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  2. Puxa vida!!!
    Também me emocionei ao ler suas palavras e parabéns pela linda menininha!!! Talvez não seja fácil, e virão muitas provações, mas hoje que meu filho está com 1 aninho e fazendo um paralelo com meu novo nascimento, realmente aprender a viver é algo difícil para ambos, mamãe e bebê.
    Também estava em meu melhor corpo, mas digo que hoje estou ainda melhor!!
    Tá planejado escrever sobre isso, pq a maternidade me trouxe muitos benefícios inclusive físicos!!!

    Bom saber que gostou da minha escrita e vc, por favor, mesmo anônima, não some não!!!

    Bjs

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  3. Nossa estela que lindas palavras. Me emocionei. Bjs

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